quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Gastronomia da Guiné-Bissau

Guiné-Bissau possui uma rica gastronomia, uma mistura de comida portuguesa e africana.
Sua gastronomia tradicional é caracterizada por paladares intensos e apimentados, onde o limão e a malagueta são condimentos indispensáveis.
O arroz é a base principal da alimentação, e quando cozido, é chamado por bianda, no qual se adiciona o mafé, nome atribuído aos molhos e caldos, geralmente feitos de peixe, maricos, galinha ou carne.
O chabéu e o óleo de palma, são as gorduras vegetais da região.
A respeito dos legumes, utiliza-se geralmente baguitche, a candja (quiabo) e ao djagato para acompanhar com o arroz.
Suas receitas são muito marcadas pela presença de frutos do mar e suas ostras são conhecidas como as maiores do mundo.
As comidas mais tipicas de Guiné-Bissau são: Caldo de Mancarra (caldo de amendoim),Tieboudienne (guisado de peixe, com arroz e legumes).
Os turistas, em seus passeios, podem experimentar carne de macaco. 


Receita do Caldo de Mancarra


Ingredientes e quantidades
  • 1 frango (ou galinha)
  • 1 cebola grande
  • Azeite
  • 250 g de amendoim (mancarra no crioulo da Guiné-Bissau) ou pasta de amendoim
  • 1 caldo de galinha
  • 2 tomates maduros
  • Sal e pimenta
  • piri-piri
Preparação
  1. Prepare o frango, corte-o aos pedaços e tempere com sal, pimenta e piri-piri. 
  2. Junte-lhe a cebola devidamente picada. 
  3. Acrescente 2 copos de água e deixe cozer em lume brando durante 15 a 20 minutos. 
  4. Se optou por comprar amendoins (e não pasta), faça uma pasta, pise os amendoins num almofariz até se transformar em farinha fina. 
  5. Junte-lhe tomates, misture até formar uma pasta. Junte-lhe a seguir água (muito) quente mexendo sempre, até formar uma pasta. 
  6. Junte tudo, a carne o preparado de amendoim (pasta)e deixe ferver para apurar. 
  7. Retire do lume, deixe arrefecer um bocado e sirva acompanhado de arroz branco. 

Economia da Guiné-Bissau

Um dos países mais pobres do mundo, a economia legal da Guiné-Bissau depende principalmente da agropecuária e da pesca, mas o tráfico de drogas é provavelmente o tipo de comércio mais lucrativo. As plantações de caju cresceram consideravelmente nos últimos anos. O país exporta peixe e frutos do mar assim como pequenas quantidades de amendoim, palmito e madeira.
O arroz é o principal cultivo e alimento básico. Entretanto, combates intermitentes entre as tropas do governo, apoiadas pelo Senegal e uma junta militar destruíram muito da infraestrutura e causaram grande prejuízo à economia em 1998. A guerra civil levou a uma redução de 28% do produto interno bruto naquele ano, com uma recuperação parcial no período 1999-2002. A produção agrícola caiu algo em torno de 17% durante o conflito, assim como a produção de castanhas de caju caíram até 30%. Piorando a situação, no ano 2000 o preço das castanhas caíram em 50% no mercado internacional, aumentando a devastação começada com a guerra civil.
Em dezembro de 2003 o Banco Mundial, o FMI e a UNDP foram forçados a intervir para fornecer auxílio orçamentário de emergência num total de US$ 107 milhões para o ano de 2004, o que representou mais de 80% do orçamento do país . A combinação de perspectivas econômicas limitadas, um governo central fraco e dirigido por uma facção e uma posição geográfica favorável tornaram este país da África Ocidental uma escala do tráfico de drogas para a Europa1 , especialmente em várias ilhas não habitadas do Arquipélago de Bijagós. Estima-se que passem pelo país US$ 1 bilhão em drogas por ano.

Escritor José Carlos Schwarz

 José Carlos Schwarz nasceu em, Guiné-Bissau,no dia 6 de Dezembro de 1949 e Morreu em Havana no dia 27 de Maio de 1977.
José Carlos foi um poeta e músico da Guiné-Bissau. Ele é amplamente reconhecido como um dos mais importantes e notáveis músicos da Guiné-Bissau.
Ele escreveu em português e francês, porém cantava em crioulo. Em 1970 ele formou o "Cobiana Djazz", banda formada por um grupo de amigos. Após a independência da Guiné-Bissau, Schwarz tornou-se o diretor do Departamento de Artes e Cultura, e também o responsável pela política de infância guineense. Em 1977 iniciou sua carreira na Embaixada da Guiné-Bissau em Cuba. No dia 27 de Maio do mesmo ano, Schwarz morreu em acidente de avião próximo a Havana.
Poesia
Do que chora a criança
(versão portuguesa) 
Do que chora a criança?
É dor no seu corpo
Do que chora a criança?
É sangue que cansou de ver 
Um pássaro grande chegou
Com ovos de fogo
0 pássaro grande veio
Com os ovos da morte
Caçadores desconhecidos
Enganados metralharam a tabanca
Caçadores, pretos como nós
Enganados metralharam a bolanha
Queimou-se o mato
Queimaram-se as casas
Perdurou a dor na nossa alma

Escritor Vasco Cabral

Vasco Cabral nasceu em 1926 em Farim na então Guiné Portuguesa e cedo se interessou pela política participando na campanha de Norton de Matos, candidato da Oposição anti-salazarista à Presidência da República Portuguesa. Formado em Ciências Econômicas e Financeiras, é preso em 1953 em Lisboa quando regressava de Bucareste onde participara no IV Festival Mundial da Juventude.
1962 foi um ano pleno de acontecimentos relevantes no quadro da resistência ao regime salazarista pois pela primeira vez nas ruas do Porto e no 1º de Maio em Lisboa são gritadas palavras de ordem contra a guerra colonial e, num tribunal de Luanda, são condenados os escritores António Jacinto, António Cardoso e Luandino Vieira a 14 anos de prisão; nesse mesmo ano, ameaçados de novo pela polícia política, o angolano Agostinho Neto acompanhado pela família e Vasco Cabral, numa fuga de barco organizada pelo Partido Comunista Português, alcançam Rabat, em Marrocos. Tendo aderido ao PAIGC participa na luta armada de libertação nacional tendo sido ministro da Economia e das Finanças do 1º Governo saído da Independência da Guiné-Bissau, proclamada unilateralmente a 24 de Setembro de 1973 na sequência do assassinato de Amílcar Cabral. Fundador da União Nacional de Escritores da Guiné –Bissau, morre a 24 de Agosto de 2005, em Bissau.
A sua poesia acha-se publicada na Antologia poética da Guiné-Bissau / União Nacional dos Artistas e Escritores da Guiné-Bissau (Lisboa, Editorial Inquérito, 1990); África: Literatura. Arte. Cultura sob a direção de Manuel Ferreira (Lisboa, África Editora, L.da. - Vol. I, n.º 5; ano II (Jul-Set), 1979); Antologia: Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe: poesia e conto, seleção e organização de Lúcia Cechin (UFRGS, Porto Alegre, 1986); as suas alocuções, discursos e colóquios nomeadamente sobre Amílcar Cabral e sobre a colonização da Guiné acham-se publicadas em Soronda - Revista de Estudos Guineenses.

Poesia
A Luta é a minha primavera


A luta
É a minha
Primavera

Sinfonia de vida

O grito estridente dos rios
A gargalhada das fontes

O cantar das pedras
E das rochas
O suor das estrelas

A linha harmoniosa dum cisne!





Vasco Cabral começa a escrever poemas na prisão, em 1953, poemas que já depois da independência da sua pátria reunirá num volume que intitulou precisamente A Luta é a minha primavera.
Ao lermos este poema não podemos deixar de sentir com quanto despojamento se manifesta o despertar de uma energia feita de desprendimento de si e de total entrega. Na sua solidão essencial, há neste homem, preso mas pronto para o combate, a abundância primaveril das grandes forças da natureza: a da água que estridente se solta pelos rios abaixo e a que jorra das fontes. Mais do que  fecundar a terra,  água é  a linguagem da fluidez invadindo o espaço, grito e gargalhada sonorizando as paisagens mudas. O homem que no combate vai suar o suor das estrelas longínquas,  está mais perto do céu do que da terra e,  inamovível no seu ideal, o seu canto é igual ao das pedras e das rochas. Frescura, clareza e pureza eis o que caracteriza a linguagem do espírito novo para que nasça uma nova vida. A vida para o prisioneiro passa, infinita e informe fora e dentro das grades da prisão. Contudo, algo se move, algo busca uma forma, e não é apenas um homem, um poeta cujo canto se ergue sobre searas de desolação a proclamá-lo , é também um povo que em breve se erguerá numa luta de libertação nacional. Em Discours Antillais, Édouard Glissant, numa clara alusão aos espoliados e oprimidos, conclui, neste seu ensaio, que “O homem, não é uma mera cana que pensa, mas, segundo Shakespeare, é uma floresta que marcha”.
Geração sacrificada a um ideal, o cisne deste poema é a metáfora  de uma forma harmoniosa. Seja qual for a cor da sua pele, o cisne, símbolo de luz, representa o ideal de brancura e de graça do guerrilheiro no seu combate por uma causa nobre, a causa da libertação de um povo por um futuro de paz e no achamento de uma felicidade terrestre para cada homem, mulher e criança.

Cultura da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau possui um património cultural bastante rico e diversificado. As diferenças étnicas e linguísticas produziram grande variedade a nível da dança, da expressão artística, das profissões, da tradição musical, das manifestações culturais.
A dança é, contudo, uma verdadeira expressão artística dos diversos grupos étnicos.
Os povos animistas caracterizam-se pelas belas e coloridas coreografias, fantásticas manifestações culturais que podem ser observadas correntemente por ocasião das colheitas, dos casamentos, dos funerais, das cerimónias de iniciação.
O estilo musical mais importante é o gumbé. O Carnaval guineense, completamente original, com características próprias, tem evoluído bastante, constituindo uma das maiores manifestações culturais do País.
O músico José Carlos Schwarz é ainda hoje considerado um dos maiores nomes de sempre da música guineense
Feriados e/ou festas Data Nome em português Notas 1 de Janeiro Ano Novo 20 de Janeiro Dia dos heróis 8 de Março Dia Internacional da Mulher 1 de Maio Dia do Trabalho 3 de Agosto Dia dos mártires da colonização 24 de Setembro Dia da independência (1973) Festa nacional 13 de Outubro Final do Ramadão Muçulmana 20 de Dezembro Festa do Cordeiro Muçulmana 25 de Dezembro Natal Cristã





terça-feira, 5 de novembro de 2013

Demografia da Guiné-Bissau

   A população da Guiné-Bissau é constituída por uma variedade de etnias, com línguas, estruturas sociais e costumes distintos. A maioria da população vive da agricultura e professa muitas vezes religiões tradicionais locais. Cerca de 45% dos habitantes praticam o Islão e há uma minoria de cristãos. As línguas mais faladas são o fula e o mandinga, entre as populações concentradas no Norte e no Nordeste. Outros grupos étnicos importantes são os balantas e os papéis, na costa meridional, e os manjacos e os mancanhas, nas regiões costeiras do Centro e do Norte. O Crioulo Guineense, com base lexical no português, é a língua veicular interétnica.
População: 
1,5 milhão de habitantes (est. 2008)
Estrutura etária (estimativas de 2000):
  • 0-14 anos: 42% (homens: 271.100; mulheres 272.304)
  • 15-64 anos: 55% (homens 335.150; mulheres 370.667)
  • 65 anos e mais: 3% (homens 16.574; mulheres 19.920)

Taxa de crescimento da população:
  •  2,4% (estimativas de 2000)
Taxa de nascimentos: 
  • 39,63 nascimentos/1.000 habitantes (2000)
Taxa de mortalidade: 
  • 15,62 mortes/1.000 habitantes (2000)
Taxa de migração: 
  • 0 migrante/1.000 habitantes (2000)

Número de homens/mulher (2000):
  • Ao nascer:' 1,03 homem/mulher
  • Com menos de 15 anos: 1 homem/mulher
  • 15-64 anos: 0,9 homem/mulher
  • 65 anos e mais: 0,83 homem/mulher

Total da população: 
  • 0,94 homem/mulher

Taxa de mortalidade infantil:
  • 130 mortes/1,000 nascimentos (2004)

Expectativa de vida ao nascer:
  • Total da população: 49,04 anos
  • Homens: 46,77 anos
  • Mulheres: 51,37 anos (2000)

Taxa de natalidade: 
  • 5.27 crianças por mulher (2000)

Grupos étnicos:
  • Balantas 30%
  • Fulas 20%
  • Manjacos 14%
  • Mandingas 13%
  • Papéis 7%
  • Europeus e outros: menos de 1%
  • Religiões:
  • Animismo (crenças tradicionais africanas 50%)
  • Islamismo 45%
  • Cristianismo 5%

Línguas da usadas na Guiné-Bissau são:
  • Português (oficial)
  • Crioulo Guineense
  • línguas africanas

Taxa de alfabetização : (definição com 15 anos ou mais, sabendo ler e escrever)
  • Total da população: 53,9%
  • Homens: 67,1%
  • Mulheres: 40,7% (1997)

Clima da Guiné-Bissau

Situada aproximadamente a meia distância entre o Equador e o Trópico de Câncer, a Guiné-Bissau tem clima tropical, caracteristicamente quente e úmido. Há duas estações distintas: a estação das chuvas e a estação seca. O território insular, composto por mais de 80 ilhas, exibe algumas das melhores praias da África Ocidental.
A estação das chuvas estende-se de meados de Maio até meados de Novembro, com maior pluviosidade em Julho e Agosto. A estação seca corresponde aos restantes meses do ano. Os meses de Dezembro e Janeiro são os mais frescos. No entanto, as temperaturas são muito elevadas durante todo o ano.

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